Organizações aceitam doações em criptomoedas para impactados pelos furacões nos EUA
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Os furacões Helene e Milton deixaram milhões de pessoas em uma situação devastadora nos EUA. Afinal, esses fenômenos afetaram muitos estados do sul do país, incluindo a Flórida, Geórgia, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Virgínia e Tennessee.
Enquanto os esforços de recuperação ainda estão em andamento, diversas organizações com foco em Web3 estão permitindo que as pessoas façam doações com criptomoedas para ajudar as comunidades locais.
The Giving Block criou fundo de ajuda nos EUA
Por exemplo, a plataforma de caridade com criptomoedas The Giving Block estabeleceu recentemente o “Hurricanes Helene & Milton Emergency Response Fund”. Esse fundo tem como objetivo apoiar as organizações de caridade em seus esforços de ajuda à população após a passagem dos furacões.
Pat Duffy, cofundador do The Giving Block, diz que o The Giving Block se associou a diversas ONGs para cobrir as necessidades imediatas das comunidades que buscam ajuda. Segundo ele:
“Estamos trabalhando com cada uma dessas organizações individualmente para garantir que as doações ajudem diretamente na prestação de serviços essenciais, como atendimento médico, alimentos, abrigo e ajuda humanitária para crianças, famílias e animais afetados pela devastação.”
O The Giving Block está fazendo parcerias com muitas organizações conhecidas, como Save The Children e Project Hope, para viabilizar doações em criptomoedas e de outras maneiras.
“Estamos permitindo que os indivíduos doem de diversas formas — criptomoedas, ações, fundos orientados por doadores, cartões de crédito — para maximizar o impacto de suas contribuições neste momento crítico.”
Além disso, Duffy compartilhou que Jared Isaacman, CEO da Shift4 (empresa por trás do The Giving Block), igualará os próximos US$ 500.000 em doações. Segundo ele:
“Cada contribuição, por meio de todos esses métodos de doação, está sendo atualmente igualada dólar por dólar até atingirmos nosso primeiro US$ 1 milhão em apoio.”
Outras organizações aceitam doações em criptomoedas
A The Blockchain Association, entidade sem fins lucrativos com sede em Washington, criou um diretório online com nomes de ONGs que estão participando dos esforços de ajuda.
Por exemplo, entre essas organizações, estão a Catholic Charities, The Salvation Army e Americares.
Curtis Kincaid, vice-presidente executivo de marketing e comunicações da The Blockchain Association, afirmou que essas ONGs estão fornecendo serviços essenciais, como assistência médica, alimentos e abrigo.
“Para quem tem interesse em doar criptomoedas, as ONGs que mencionamos dispõem de links diretos para isso.”
A plataforma de filantropia cripto Givepact também publicou um post em seu blog, esta semana, com orientações a respeito. O objetivo é aumentar a conscientização sobre como os doadores de criptomoedas podem apoiar os esforços de ajuda. A publicação menciona diversas ONGs locais, como Florida Wildlife Federation e BeLoved Asheville.
Alicia Maule, cofundadora e CEO da Givepact, disse ao Cryptonews que a entidade permite aos doadores apoiar organizações locais que ajudam os impactados por desastres como os recentes furacões.
“A Givepact aceita exclusivamente doações em criptomoedas (…) Nós focamos em mobilizar recursos rapidamente para comunidades em necessidade.”
Doações com criptomoedas estão crescendo
Além disso, Maule acrescentou que os usuários de criptomoedas geralmente doam 82 vezes mais que quem doa com dinheiro.
“Isso torna esses indivíduos uma fonte valiosa de apoio às ONGs (…) Também permite que as organizações tenham contato com uma nova geração de filantropos e doadores de alto poder aquisitivo.”
O 2024 Annual Report on Crypto Philanthropy, lançado pelo The Giving Block, aponta que houve mais de US$ 2 bilhões em doações com criptomoedas até janeiro deste ano.
Além disso, segundo o estudo, 56% das principais organizações de caridade dos EUA agora aceitam doações com esse método de pagamento.
Segundo Duffy, as criptomoedas se tornaram um dos métodos de doação que mais crescem nos EUA na última década. Ele acredita que isso se deve ao número crescente de investidores em criptos. Também há benefícios associados à doação de ativos digitais.
“Assim como ações, criptomoedas são muito melhores em relação a impostos do que doar dinheiro (…) Quando os americanos gastam criptomoedas em qualquer outro lugar ou vendem suas criptos por dinheiro, precisam pagar impostos sobre ganhos de capital ao governo federal e estadual. Mas não quando doam.”
Também vale notar que as criptomoedas estão isentas, atualmente, das regras de “wash sale”.
Segundo Jonathan Bander, sócio-gerente e chefe de estratégia fiscal da ExperityCPA, isso significa que os investidores podem vender criptomoedas com prejuízo para fins fiscais. Então, podem recomprar o mesmo ativo imediatamente, sem precisar esperar 30 dias.
“Isso ajuda a maximizar estratégias de colheita de perdas fiscais de maneira eficiente.”
No entanto, Bander observa que a incerteza regulatória, a volatilidade do preço, a aceitação limitada por parte das ONGs e a necessidade de educação sobre o tema constituem desafios importantes.
Doações com criptos ajudam a Ucrânia e candidatos nos EUA
As doações com criptomoedas não são uma novidade. Afinal, vêm sendo uma opção para quem deseja ajudar em diferentes contextos e situações nos últimos anos.
Por exemplo, em 2022, o governo ucraniano começou a aceitar doações em criptos em meio aos esforços de guerra após a invasão russa. Na ocasião, passaram a aceitar 14 moedas diferentes, incluindo opções como Bitcoin (BTC), Ether (ETH), Solana (SOL) e Dogecoin (DOGE).
Segundo um comunicado do governo da Ucrânia para a imprensa local:
“Os criptoativos provaram ser extremamente úteis para facilitar os fluxos de financiamento para cidadãos e soldados ucranianos, bem como para conscientizar e engajar pessoas em todo o mundo (..) A quantidade de crowdfunding cripto para nosso país já é a maior da história até agora.”
Além disso, durante a campanha para as eleições americanas deste ano, as criptomoedas têm tido um papel importante.
Donald Trump tem uma ligação forte com o mercado cripto, atualmente, e tornou-se o primeiro candidato a aceitar doações dessa forma. Tudo começou em maio deste ano, com uma plataforma que recebe contribuições por meio do Coinbase Commerce.
Mas não foi apenas o candidato republicado que recorreu a esse expediente para impulsionar as doações à sua campanha. Afinal, a democrata Kamala Harris também vem se beneficiando desse recurso. Aliás, essas doações também ocorrem via Coinbase.
Já no Brasil, as doações com criptomoedas ainda estão proibidas para fins eleitorais. Pelo menos, esse foi o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a campanha deste ano. Afinal, todas as transações nesse caso precisam ocorrer com moeda fiduciária.
A proibição de ativos digitais em doações eleitorais existe desde 2019, sendo reafirmada nas eleições de 2020, 2022 e, agora, 2024.

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