Conheça Liberland, nação cripto que declarou sua própria soberania
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Neste mês de outubro, a nação autodeclarada Liberland, no Leste Europeu, elegeu Justin Sun, fundador da blockchain Tron, como seu primeiro-ministro. O presidente da Liberdland, Vít Jedlička, fez a nomeação.
Ao aceitar o cargo, Sun se comprometeu a agir ativamente para promover a ideia de um governo pequeno e demonstrar que um governo minimalista pode trazer estabilidade e prosperidade, sem excesso de regulação ou coerção.
“Seguindo essa abordagem, vamos promover o status da Liberland como um pilar de liberdade e autonomia individual, afirmou Sun, em uma longa thread no X.
Sun disse que, em Liberland, “não há obrigações forçadas, impostos ou mandatos impostos aos cidadãos. Tudo é construído por meio da participação voluntário e do respeito mútuo”.
Ele enfatizou, ainda, que Liberland busca se tornar um “símbolo global de ideias libertarias”. E que as criptomoedas e as tecnologias descentralizadas estão no centro disso.
Mas o que de fato é Liberland? Confira um pouco mais sobre a história e a economia dessa ambiciosa micronação.

O que é Liberland?
Liberland é um Estado autônomo fundado em 13 de abril de 2015, pelo ex-político tcheco Vít Jedlička e sua esposa, Jana Markovicova, que era massoterapeuta. Jedlička é o atual presidente da nação.
A nação fica entre a Croácia e a Sérvia, abrangendo uma área de apenas 7 quilômetros quadrados. Ou seja, 224 vezes menor, por exemplo, do que a cidade de Londres, no Reino Unido. Desse forma, é o terceiro menor Estado soberano, ficando atrás, apenas, do Vaticano e de Mônaco.
Liberland surgiu como uma área disputada após a separação da Iugoslávia em 1991. Nem a Croácia, nem a Sérvia reivindicaram o território. O país tem 1.000 pessoas, chamadas de Liberlanders. Eles se organizam em torno de ideais libertários, autonomia individual e liberdade política. Ou seja, princípios similares aos do Bitcoin.
Nesse sentido, os impostos são voluntários. Além disso, o país não obriga os cidadãos a prestar serviço militar. Desde agoto de 2013, o país está sempre habitado, principalmente por campistas, aventureiros e pessoas que vivem em barcos.
Segundo o site do país, Liberland já chegou a formalizar um casamento, organizar eventos esportivos e fornecer ajuda global. Isso ocorre na medida em que a nação vai amadurecendo, para se tornar uma Estado pleno.
Falta reconhecimento
Apesar do apoio público do presidente da Argentina, Javier Milei, e do congressista dos Estado Unidos Ron Paul, o Estado não é reconhecido pelas Nações Unidas. Isso, portanto, levanta dúvidas quanto à sua legitimidade.
Como resultado, a nação estaria trabalhando diplomaticamente para obter reconhecimento como Estado. O território assinou a Memoranda Of Understanding (MOUs) – no português, memorandos de entendimento, algo similar a um acordo – com a Argentina, El Savador e Somalilândia
O empreendedor tech Evan Luthra, eleito para o Congresso de Liberland, afirmou que a nação conta com apoiadores em todos os continentes, 78 escritórios de representação no mundo e 4 ministros.
“As pessoas estão no controle”
Em post no X, Luthra declarou que Liberland “é um lugar para pessoas que acreditam que a liberdade não é apenas um privilégio, mas um direito fundamental. Segundo ele, o lema da nação é: “To live and let live” (algo como “viver e deixar viver”).
De acordo com o empreendedor, o sistema político e econômico de Liberland opera na blockchain. “Desse modo, qualquer movimento, qualquer voto e qualquer decisão é transparente e segura”, ressaltou.
Luthra ressaltou, ainda, que, em Liberland, “as pessoas estão no controle”. “Você não encontrará acordos de bastidores e oficiais corruptos aqui”, frisou.

Blockchain proprietária
O país opera uma blockchain proprietária, chamada “The Liberland Blockchain,” que usa um chamado mecanismo de consenso proof-of-stake (NPoS). Nesse caso, apenas os cidadãos podem atuar como validadores da rede – o que, consequentemente, fornece uma camada de segurança contra indivíduos com intenções maliciosas.
Para as transações operacionais, Liberland utiliza um token chamado “Liberland dollar” (LLD). O LLD é usado para pagar por taxas de gas, realizar contratos, operar empresas e interagir com tribunais. Os validadores podem receber recompensas ao fazer staking dos seus tokens LLD – que podem ser trocados em exchanges como MEXC e Coinstore.
Quando esse artigo foi escrito, o LLD estava sendo negociado por cerca de US$ 3 na blockchain Solana, com uma capitalização de mercado de mais de US$ 200.000. O token já estava ativo, também, na rede Ethereum.
Outro token, chamado Liberland merit (LLM), é destinado à governança. Não existe sufrágio universal em Liberland. Para participar de processos políticos, como votar, por exemplo, a pessoa precisa ter fazer stake de, no mínimo, 5.000 LLM. Além disso, deve ser cidadã ou ter uma permissão de residência. Tanto um como outro são vendidos. Além disso, é possível obter LLMs por meio de atividades associada a trabalho na Liberland.
Para os cidadãos de Liberland, o poder político é proporcional ao valor de taxa que eles pagam ao fazer stake de seus tokens LLM. Esse processo é conhecido como “political pooling” ou PolitiPooling. Em outras palavras, se você decidir parar de fazer stake dos seus tokens e o seu saldo de “pooled tokens” cai para menos de 5.000 LLM, você não pode mais votar em eventos como as eleições para o Congresso, por exemplo, que ocorrem a cada três meses.
A economia em Liberland
Liberland não possui moeda de curso legal, o que significa competição entre moedas, afirma o congressista de Liberland, Luthra. Você pode usar Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), a stablecoin USDT e muitos outros tokens wrapped – “todos disponíveis no aplicativo da Liberland, em um mercado livre e aberto.”
Segundo o site de Liberland, o governo do país tem um budget de US$ 1 milhão por ano.
Informações oficiais divulgadas por oficiais da nação revelam que 80 empresas se registram em Liberland. Como resultado, haveria US$ 4,5 milhões em valor total bloqueado no ecossistema de finanças descentralizadas do país. O volume de transações teria atingido US$ 6,4 milhões.
De acordo com Luthra, as empresas podem operar completamente on-chain no país, sob a jurisdição de Liberland. Não há taxas corporativas. Contudo, não ficou claro que tipo de operação essas companhias desenvolvem.
“Os incentivos oferecidos por Liberland e sua posição no Danúbio abrem oportunidades para transações regionais, negócios transfronteiriços e investimentos, diretamente impulsionando a atividade econômica em países vizinhos”, enfatizou Luthra.
Como se tornar um cidadão
Aproximadamente 76 mil pessoas solicitaram cidadania a Liberland. Atualmente, o território conta com cerca de 1.000 cidadãos registrados. Além disso, tem mais de 4.000 e-Residents.
Para se tornar um cidadão de Liberland, você pode solicitar a cidadania no site do país. Existem duas opções: e-Residency ou Cidadania completa.
Quem escolher se tornar um e-Residente pode iniciar um negócio em Liberland, obter uma identidade por parte do governo e ter acesso a outros serviços. Porém, você não terá residência física automática, direito de voto ou passaporte. A e-Residency custa algo entre US$ 150 e US$ 1.000, dependendo dos benefícios.
Caso você opte pela Cidadania completa, precisa se estabelecer em Liberland fisicamente. Você pode fazer um upgrade na sua e-Residency ao visitar Liberland e ficar lá pelo menos 7 dias, para se tornar elegível a receber a cidadania completa. Nesse caso, o processo pode custar até US$ 10.000.
Mas há um paradoxo. Dependentes químicos, alcoólicos, pessoas com registro criminal e outros critérios similares não são bem-vindos em Liberland. Tanto trabalho para promover a liberdade, e o resultado é esse.

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