Processo Binance vs WSJ: A exchange de criptomoedas processa o Wall Street Journal por vídeo ‘difamatório’ sobre sanções ao Irã

A exchange de criptomoedas Binance entrou oficialmente com um processo de difamação contra o Wall Street Journal, também conhecido como WSJ, no Distrito Sul de Nova York. A queixa, apresentada hoje (11 de março), alega que o jornal publicou alegações falsas sobre os controles de conformidade da exchange e o tratamento de dados de sanções ao Irã.
No centro da disputa está uma reportagem de fevereiro que afirma que a Binance processou conscientemente mais de 1 bilhão de USD para entidades sancionadas.

Esta notícia levou o preço do BNB a cair 1% nas últimas horas, para 640 USD, já que os investidores parecem assustados com mais uma potencial disputa legal envolvendo a Binance.
O CEO Richard Teng condenou a reportagem como imprecisa, afirmando que o veículo ignorou evidências documentadas fornecidas antes da publicação.
O que a reportagem do WSJ realmente alegou e por que a Binance diz que está errada
O artigo do Wall Street Journal, intitulado “Binance demitiu funcionários que sinalizaram movimentação de 1 bilhão de dólares para entidades iranianas sancionadas”, descreveu uma luta interna caótica na maior exchange de criptomoedas do mundo.
Alegou-se que funcionários de conformidade foram demitidos não por violações de política, mas por fazerem seus trabalhos ao identificar fluxos ilícitos.
Especificamente, a reportagem afirmou que a Binance processou 1,7 bilhão de USD em transações ligadas a entidades iranianas, incluindo um conversor de fiat para cripto sediado em Hong Kong chamado “Blessed Trust”.
De acordo com o Journal, essa atividade continuou apesar dos alertas internos. A reportagem desencadeou imediatamente um inquérito regulatório.
O senador dos EUA Richard Blumenthal citou o artigo como base para exigir uma investigação formal sobre as operações da exchange, à qual o CEO da Binance, Richard Teng, respondeu em 6 de março, negando todas as alegações.
As alegações chegaram durante um período sensível para a regulamentação cripto, espelhando a pressão vista enquanto Democratas introduzem projetos de lei para proibir plataformas como a Polymarket por preocupações de conformidade.
Binance contra-ataca: 19 respostas ignoradas e uma alegação de 96,8% de conformidade
A defesa da Binance baseia-se no que chama de desrespeito deliberado pelos fatos. A exchange alega ter enviado ao WSJ 19 respostas detalhadas e respondido a 27 perguntas específicas antes do prazo de publicação, nenhuma das quais apareceu na reportagem final.
Richard Teng rejeitou publicamente a narrativa, enfatizando que os funcionários em questão foram dispensados por violações da política de dados, e não por sinalizarem evasão de sanções.
A exchange citou números concretos para contestar as alegações de difamação. A Binance afirma ter alcançado uma redução de -96,8% nos riscos de exposição a sanções por meio de protocolos atualizados. Atualmente, mais de 1.500 funcionários, quase um quarto da força de trabalho dentro da Binance, trabalham em conformidade.
Em relação à conta específica da “Blessed Trust”, a Binance esclareceu que a entidade foi removida e denunciada às autoridades em 2025, muito antes de a reportagem do WSJ sugerir que a atividade estava em andamento.
O que isso significa para a Binance e para o relacionamento mais amplo entre cripto e mídia
Este processo busca danos compensatórios e punitivos, argumentando que a reportagem causou danos que nenhuma correção simples pode reparar. A ação legal ocorre após uma vitória significativa para a Binance em 7 de março, quando um juiz federal rejeitou um processo separado alegando que a exchange facilitou o financiamento do terrorismo.
O tribunal concluiu que nenhum apoio material foi fornecido, fortalecendo a posição da Binance de que não é responsável pelas ações de agentes mal-intencionados que possam tentar acessar a plataforma.
Os traders estão acompanhando este caso de perto como um teste do padrão de “malícia real” nas reportagens de cripto. Embora a exchange tenha feito um acordo com o DOJ em 2023 no valor de 4,3 bilhões de USD por falhas históricas, esta postura jurídica agressiva sinaliza uma recusa em aceitar o que considera narrativas falsas sobre suas operações atuais.
O foco agora se desloca para a resposta do WSJ e para a possibilidade de o inquérito regulatório desencadeado pelo artigo manter o ímpeto sem a narrativa de apoio da mídia.
Continuaremos a atualizar esta história conforme mais detalhes surgirem nos próximos dias e semanas.