BCE apoia supervisão de cripto liderada pela ESMA na UE: fiscalização mais rigorosa do MiCA a caminho
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O Banco Central Europeu (BCE) apoiou formalmente uma proposta para transferir a supervisão de prestadores de serviços de ativos criptográficos para a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) – uma medida que fundiria 27 regimes nacionais de licenciamento fragmentados em uma única estrutura de fiscalização sediada em Paris.
O parecer do BCE, emitido em resposta ao pacote de mercados de capitais de 2025 da Comissão Europeia (COM/2025/941, 942, 943), posiciona a ESMA como a supervisora direta de prestadores de serviços de ativos criptográficos sistemicamente relevantes em toda a UE.
A iniciativa já está gerando resistência de Estados-membros que construíram sua infraestrutura regulatória – e receitas de licenciamento – em torno do modelo de autoridade nacional competente do MiCA.
Irlanda, Luxemburgo e Malta surgiram como jurisdições preferenciais para licenciamento de cripto sob a estrutura atual. Uma supervisão centralizada da ESMA eliminaria essa vantagem competitiva da noite para o dia.
A questão não é se o BCE deseja isso. Ele claramente deseja. A questão é se o pacote de mercados de capitais da Comissão conseguirá sobreviver à resistência dos Estados-membros por tempo suficiente para se tornar lei.
- Posição do BCE: O BCE apoia formalmente a transferência da supervisão de CASPs das autoridades nacionais competentes para a ESMA, sob o pacote de mercados de capitais de 2025 da Comissão.
- Impacto no MiCA: A supervisão centralizada da ESMA substituiria 27 regimes de fiscalização nacionais por uma única autoridade, eliminando a arbitragem de licenciamento entre as jurisdições da UE.
- Pedido Institucional do BCE: O BCE solicita participação sem direito a voto no novo Conselho Executivo da ESMA para discussões relacionadas a CASPs, além de acesso direto a dados e requisitos de fundos próprios sensíveis ao risco para empresas de cripto.
- Exposição a Stablecoins: O BCE defende limites para tokens de dinheiro eletrônico (EMT) usados como ativos de liquidação na ausência de moeda de banco central – uma restrição direta à escala de stablecoins pareadas ao euro.
- Cronograma: Os períodos de transição do MiCA expiram no primeiro trimestre de 2026; a competência ampliada da ESMA, se adotada, provavelmente seria implementada gradualmente junto com as avaliações de relevância da EBA que ocorrem simultaneamente.
- Risco para Polos de Licenciamento: Estados-membros com ecossistemas de licenciamento de cripto estabelecidos enfrentam a perda de jurisdição supervisora e diferenciação competitiva se a centralização da ESMA for aprovada.
- O que observar: Negociações da Comissão sobre o pacote de mercados de capitais de 2025 – qualquer concessão na autoridade direta da ESMA sinaliza que o impulso de centralização está perdendo fôlego político.
O que a supervisão liderada pela ESMA e apoiada pelo BCE realmente muda para exchanges e emissores de stablecoins operando na UE?
Sob a arquitetura atual do MiCA, os prestadores de serviços de ativos criptográficos (CASPs) obtêm autorização da autoridade nacional competente de seu Estado-membro de origem – e então utilizam o passaporte dessa autorização em toda a UE. O modelo espelha a forma como as empresas financeiras tradicionais operam sob a MiFID II.
No papel, isso garante acesso ao mercado único. Na prática, cria uma assimetria de fiscalização: um CASP licenciado em uma jurisdição com supervisão nacional mais branda enfrenta uma pressão de conformidade materialmente diferente de um licenciado em um regime mais rigoroso, embora ambos possuam direitos de passaporte em toda a UE.
A supervisão direta liderada pela ESMA elimina essa lacuna. Exchanges acima de um limite sistêmico definido passariam a reportar à ESMA em vez de sua autoridade nacional – o que significa que padrões de fiscalização, frequência de inspeção e estruturas de penalidades tornam-se uniformes, independentemente de onde a empresa escolheu se estabelecer.

A ESMA já mantém um registro público de emissores de ART e EMT e detém autoridade para operar uma lista negra de cripto para CASPs não conformes. O poder de supervisão direta sobre os principais CASPs estende essa competência da manutenção de registros para a fiscalização ativa. Esse é um papel institucional fundamentalmente diferente.
Para emissores de stablecoins especificamente, a pressão do BCE por limites em tokens de dinheiro eletrônico como ativos de liquidação – na ausência de moeda de banco central – adiciona uma segunda camada de restrição. Emissores significativos de EMT já acionam a supervisão da EBA ao atingirem 5 bilhões de euros em reservas ou 10 milhões de usuários.
Um limite de liquidação apoiado pelo BCE imporia restrições de volume além desses limites, independentemente do status de relevância da EBA. Grandes exchanges que operam liquidações de stablecoins em larga escala – incluindo Binance e OKX, cujas divulgações de reservas atraíram escrutínio contínuo do mercado – enfrentam exposição direta a essa restrição se ela chegar à regulamentação final.
Por que o BCE está pressionando por isso agora – e o que seu pedido institucional revela?
O parecer do BCE não foi espontâneo. A Comissão Europeia lançou três propostas legislativas no final de 2025 – COM/2025/941, 942 e 943 – projetadas para aprofundar a União dos Mercados de Capitais, expandindo os poderes diretos da ESMA sobre CCPs, CSDs, CASPs e locais de negociação sistemicamente importantes.
A resposta formal do BCE a esse pacote é onde o apoio à ESMA foi registrado, juntamente com um pedido institucional específico: participação sem direito a voto no novo Conselho Executivo da ESMA para discussões que envolvam prestadores de serviços de ativos criptográficos.

Esse pedido é importante. A participação no conselho sem direito a voto dá ao BCE um assento permanente nas deliberações de supervisão da ESMA, sem exigir uma expansão legislativa da autoridade do BCE.
É um mecanismo para influência da política monetária sobre a supervisão de cripto sem sobreposição jurisdicional formal – e sinaliza que o BCE vê a atividade dos CASPs como diretamente relevante para a estabilidade monetária, e não apenas para a integridade do mercado financeiro.
O BCE também destacou explicitamente a questão de pessoal, alertando que a ESMA precisa de “pessoal e recursos financeiros adequados” para absorver responsabilidades de supervisão expandidas sem desgaste operacional.
Isso não é um clichê. A declaração da ESMA de janeiro de 2025, instando as autoridades nacionais a aplicar restrições a emissores de ART e EMT não conformes com o MiCA até o final do primeiro trimestre de 2025, já testou a capacidade de coordenação da autoridade.
Adicionar a supervisão direta de CASPs sem aumento de quadro de funcionários sobrecarregaria a mesma infraestrutura institucional. Esta trajetória regulatória espelha o que está ocorrendo em outros lugares – a reclassificação de cripto pelo Japão sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio reflete o mesmo padrão global: grandes jurisdições movendo cripto de estruturas adjacentes a pagamentos para uma supervisão completa, de estilo valores mobiliários, com poder de fiscalização direta.