{"id":131288,"date":"2024-10-09T19:03:00","date_gmt":"2024-10-09T19:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pt.cryptonews.com\/?p=131288"},"modified":"2024-10-09T23:54:31","modified_gmt":"2024-10-09T23:54:31","slug":"cresce-interesse-dos-brasileiros-por-stablecoins-aponta-estudo-da-chainalysis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cryptonews.com\/br\/noticias\/cresce-interesse-dos-brasileiros-por-stablecoins-aponta-estudo-da-chainalysis\/","title":{"rendered":"Cresce interesse dos brasileiros por stablecoins, aponta estudo da Chainalysis"},"content":{"rendered":"
\"Cresce<\/figure>

Um estudo recente da Chainalysis mostrou que os brasileiros vêm se interessando cada vez mais por transações com stablecoins, como o Tether (USDT). As informações são do 2024 Geography of Cryptocurrency Report<\/a>.<\/p>

Segundo a pesquisa, o valor total das transações desse tipo de moeda cresceu +207,7% em relação ao ano passado, em exchanges locais. Portanto, aumentou bem mais do que o das transações com Bitcoin, Ether e altcoins.<\/p>

Segundo o estudo, esse fenômeno parece ter relação com a demanda dos brasileiros por proteção contra as oscilações do real em relação ao dólar. Afinal, as plataformas estariam buscando atender a esse anseio dos usuários com stablecoins atreladas ao USD.<\/p>

O fenômeno coloca o Brasil atrás apenas da Argentina em volume de transação de criptos e em predominância de negociações de stablecoins. No entanto, o país ainda lidera o ranking de adoção de criptomoedas na região, considerando outros fatores relevantes.<\/p>

Stablecoins como reserva de valor e meio de pagamento<\/h2><\/span>

As bolsas e corretoras fintech do Brasil vêm oferecendo stablecoins de dólar com base no seu potencial de reserva de valor.<\/p>

Essas moedas têm valor pareado com o do dólar americano. Portanto, permitem que os usuários protejam seus fundos das oscilações do real sem precisar comprar dólar diretamente. Além disso, a negociação de stablecoins<\/a> nas exchanges locais pode ser mais prática e acessível que adquirir a moeda norte-americana.<\/p>

As stablecoins também vêm servindo como meio de pagamento para transações entre empresas. Ou seja, oferecem uma alternativa aos canais oficiais de câmbio para negócios B2B. Não à toa, esse tipo de ativo já corresponde a cerca de 70% dos fluxos indiretos de bolsas locais para bolsas globais.<\/p>

Ou seja, os valores saem de carteiras em exchanges domésticas para plataformas fora do país, o que inclui contas em nomes de outros titulares.<\/p>

Esse movimento segue a lógica da tokenização de ativos, que permite a muitas empresas superar a falta de liquidez e economizar em taxas ao negociar com o resto do mundo.<\/p>

Atividade atraiu a atenção da Circle<\/h2><\/span>

O crescimento desse mercado no Brasil, assim como o interesse geral em produtos e serviços digitais, vem atraindo o interesse de grandes players de criptomoedas.<\/p>

Um caso recente é o da Circle. A empresa chegou oficialmente ao país em maio deste ano, trazendo na mala um importante produto: o USDC. Ou seja, trata-se de uma das principais stablecoins do mercado.<\/p>

Segundo um porta-voz da empresa, a regulamentação do mercado local foi importante para esse movimento em direção ao Brasil.<\/p>

“O envolvimento da Circle com o Brasil ocorre em um momento de maior certeza regulatória, políticas e iniciativas pró-inovação, com a expectativa de mais regras favoráveis ​​em um futuro próximo. Estamos estabelecendo parcerias com empresas regionais líderes para lançar produtos de ativos digitais e permitir acesso quase instantâneo, de baixo custo e 24\/7, ao USDC, para usuários brasileiros. E estamos fortalecendo nossa presença local para atingir uma base de usuários ainda maior. Como resultado desse compromisso com a região e das parcerias vigentes, a quantidade de usuários que fazem transações com USDC na região já cresceu exponencialmente.”<\/p>

Uma das parcerias importantes que a Ripple estabeleceu no Brasil foi com o banco BTG Pactual<\/a>. Afinal, esse acerto vem ajudando na distribuição de USDC para bancos e empresas locais.<\/p>

Quando a parceria com o BTG foi anunciada, o CEO da Circle, Jeremy Allaire, destacou o potencial do mercado brasileiro:<\/p>

“Existem muitas oportunidades poderosas no horizonte quando o ecossistema fintech do Brasil converge com a plataforma de dólar mais acessível do mundo.”<\/p>

O foco da Ripple no país são justamente as empresas que buscam uma forma simples e barata de adquirir dólares sem recorrer ao mercado tradicional.<\/p>

Economia brasileira ainda impõe desafios<\/h2><\/span>

Apesar do otimismo em relação à adoção de stablecoins no Brasil, o relatório da Chainalysis destaca que há uma série de obstáculos para um processo ainda mais rápido.<\/p>

Por exemplo, a cotação do real variou bastante em relação ao dólar este ano. Portanto, a adoção de stablecoins pode não ser uma opção tão atraente para quem deseja ter mais liquidez e teme eventuais prejuízos.<\/p>

Em vez disso, como já vimos, as stablecoins têm sido uma prioridade das empresas para suas transações corriqueiras. Também é útil como reserva de valor para quem teme os efeitos da inflação.<\/p>

Além disso, mesmo com boas taxas de crescimento econômico recente, não há tanta renda disponível para consumo. Isso ocorre principalmente porque o processo inflacionário dos últimos anos manteve elevados os preços de produtos e serviços.<\/p>

Isso significa que novos produtos financeiros podem não ser uma prioridade. Ao mesmo tempo, sobra menos dinheiro para quem deseja investir ou manter uma reserva de segurança — inclusive, em outra moeda.<\/p>

Apesar disso, o contexto brasileiro também está repleto de oportunidades e casa bem com muitas das principais aplicações das stablecoins. Por isso, limitações de renda e eventuais desconfianças com a economia não chegam a tornar o mercado local menos promissor.<\/p>

Argentina lidera em transações de criptos na região<\/h2><\/span>

O relatório da Chainalysis mostra o Brasil atrás apenas da Argentina no que diz respeito ao movimento de criptomoedas na América Latina.<\/p>

Isso se deve à longa batalha contra a inflação e a desvalorização do peso argentino. Afinal, boa parte dos cidadãos do país vê nas criptomoedas uma forma de proteger suas economias<\/a>.<\/p>

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A situação não melhorou nesse sentido com o presidente Javier Milei. Em 2024, a Argentina passa por um momento delicado. Grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza. E o poder aquisitivo dos argentinos despencou após uma série de reformas do governo.<\/p>

Com a intenção de promover uma “terapia de choque” no país, Milei realizou uma forte desvalorização do peso argentino. Também cortou subsídios de energia e transporte.<\/p>

Historicamente, os argentinos buscam se proteger dos momentos de crise recorrendo ao dólar. Há até pouco tempo, devido à cotação artificial do peso, a população recorria ao “dólar blue” — ou seja, ao câmbio paralelo. Afinal, ele refletia uma taxa informal, não oficial, e mais próxima do valor real da moeda argentina.<\/p>

No entanto, até mesmo a crise gera oportunidades para o mercado de criptoativos. O acesso a elas vem garantindo uma forma mais prática para os argentinos se protegerem da instabilidade interna e da moeda doméstica fraca.<\/p>

O estudo da Chainalysis demonstra como a transação de stablecoins cresceu no país desde o final de 2023. O valor total do mercado mais que dobrou entre fevereiro e março de 2024, e manteve-se acima dos US$ 50 milhões por mês desde então.<\/p>

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Ainda segundo o relatório, as stablecoins correspondem a 61,8% do volume de transações de criptos na Argentina é de 61,8%. Isso a coloca um pouco acima do Brasil nesse quesito (59,8%). Além disso, posiciona o país acima da média global (44,7%).<\/p>

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Leia mais:<\/h2><\/span>